23.2.16

Sintomas de ser Solteira




Vinha para casa e na rádio ouvi que quando se tem uma relação com alguém, que a roupa com que dormimos é mais ousada do que se estivermos solteiras, sobretudo no início.
Achei piada ao que estavam a dizer e não poderia deixar de concordar. Aliás, vendo e olhando para mim, não faz mal se tenho meias às riscas, às bolas ou com buracos nos dedos, por baixo de uma roupa sóbria, afinal não há ninguém para ver.
Não faz mal se a cor do soutien e cuecas não combinam e se têm os elásticos largos, porque lá está, não existe ninguém para ver.

Podemos chegar a casa, descalçar os saltos, aterrar os pés em pantufas com focinho de animal e vestir aquele pijama que nos faz incrivelmente mais gordas, sem que nos sintamos desinteressantes aos olhos de alguém.
No meio desse pijama que nos aumenta as formas, embrulhamo-nos numa manta e vemos um filme qualquer que passa na televisão, com qual possamos ou não derramar lágrimas à vontade sem parecermos demasiado sensíveis e enquanto isso, enchermo-nos de chocolate ou de outra porcaria qualquer, que se alojará silenciosamente no nosso rabo ou nas nossas coxas.

E a cama? Quem bom podermos ter uma cama King Size só para nós. Podermos dormir ao alto, ao largo ou mesmo enfiar os putos na nossa cama, quando eles choram porque têm pesadelos e quando não queres, nem tens tempo para estar a tentar explicar que têm de dormir obrigatoriamente na sua cama.

Mas no meio destas simples coisas, que não me irritam e com as quais eu vivo bem, há também o outro lado. Há sempre, não é?
A outra face da moeda, de me enternecer ao ouvir uma colega chamar de Amor ao marido em tom doce. De ouvir perguntar se é preciso comprar algo para o jantar e de no fundo eu mesma sentir que tenho as pantufas com focinho de animal à minha espera, mas não existe ninguém por quem eu esperar. Não existe aquele abraço ao final de um dia cheio. Não existe aquela simples conversa, de como correu o teu dia ou aquele malandreco apalpão no rabo. 

Mas na dualidade do que tenho e do que não tenho, existe em mim aquela voz interior que eu não sei o género, mas que me diz que as coisas boas demoram tempo a chegar. Que tudo tem o seu tempo certo para acontecer.

É mesmo assim, não é?




9 comentários:

  1. Tudo tem o seu tempo certo, sem dúvida! :) E um dia terás bonitas novidades para nos contar. Assim espero, pois bem mereces! Beijinhos

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    1. Dizem que a vida nos traz aquilo que precisamos. Eu quero acreditar que ela me trará o que achar melhor para mim :) um beijinho e obrigada pela tua sempre presença por cá :)

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  2. Sabes, não sei se já partilhei isto contigo mas volto a partilhar. Quando conheci a minha cara metade nos primeiros tempos e cada um de nós já com um passado de relações ele dizia muitas vezes porque é que não nos encontramos antes, pois tudo agora seria diferente e eu disse -lhe porque na altura e hoje sei que é assim que se eu o tivesse encontrado antes não lhe daria o valor que dou hoje e que tudo o que eu vivi antes de menos positivo que pudesse ter foi essencial para valorizar o que tenho hoje ou ver as coisas de outra forma. Por isso como tu mesma vai haver uma altura em que as peças do puzzle se juntam e tudo vai fazer sentido e eu vou estar ca para o final feliz :). beijinhos

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    1. Sim, já me tinhas falado Luna. Sim, as peças encaixarão sem forçar e o que tiver de ser, assim será. Eu acredito que tudo terá o seu sentido. :) Beijinho.

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  3. Claro que vêm com o tempo, e terás certamente muita coisa boa à tua espera, até lá, tens o melhor do mundo que são os teus três filhos :)

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  4. Dizem que as melhores coisas são as que mais tardam, precisamente para que lhes demos o devido valor. Vai um bocadinho ao encontro do comentário da Luna. Se calhar se chegasse agora não o saberias reconhecer... O que tiver que ser nosso está guardado. E agora, mais que nunca, ao longo de todo este processo, consegues perceber que ao mesmo tempo em que curas as feridas, vais estando mais disponível e vais começando a conseguir olhar para fora de ti. É bom a todos os níveis. E é tão "giro" ver este processo todo em ti. :) Beijinhos

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    1. :) Sabes, acreditas que me sinto mais "dona" de mim? Mais livre e mais "crescida" em relação ao que eu quero e sobretudo ao que eu não quero? Sofrer parece que nos dá ainda mais a capacidade e a certeza de gostarmos ainda mais de nós. Obrigada pela tua presença aqui e lá fora ;)

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Obrigada, pelas suas palavras.