Fizeste ontem 11 anos, meu amor grande.
Tu cresces e crescer dói. Para além dos pêlos que se acentuam no teu bigode, temos tido muitas discussões e palavras tortas entre nós. Por vezes levas-me mesmo ao limite de mim e tantas outras vezes pergunto-me o que estou eu a fazer errado.
Continuas com o síndroma de filho único e custa-me sentir esse egoísmo que me destroça. Eu sei que vives momentos difíceis. Eu sei que a separação dos teus pais e tudo o que tem vindo a acontecer te faz sofrer. Eu sei que precisas de atenção, eu sei tudo isso, mas por vezes e ainda que por momentos, gostava que percebesses que eu não consigo fazer mais. E te dar mais.
Este ano não te fiz a festa a que estás habituado a ter. Ainda assim, fiz-te um bolo, apagámos as velas e trouxeste dois amigos para jantar. Gostava que conseguisses valorizar isto, mas talvez para a tua idade seja pedir-te muito.
A seu tempo, a vida vai encarregar-se de pôr tudo no seu devido lugar. Prometo-te.
Amo-te, sempre.