21.8.14


Como é que se Esquece Alguém que se Ama?
Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está? 

As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar. 
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução. 
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha. 
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado. 
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar. 

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'


18.8.14

17.8.14

Life is...



Este é um bonito íman de frigorífico, oferecido por uma amiga, que guardo religiosamente junto às fotografias dos meus filhos.  
A frase é mais que verdadeira e eu só gostava que por vezes tudo fosse tão simples e descomplicado. 
A verdade é que a minha vida está um enorme imbróglio. À medida que vou lendo mais sobre separações e divórcios, filhos e desemprego, constato que há tantas situações que nunca me passaram pela cabeça. Situações que eu diria surreais, tais como casais divorciados que fazem vidas separadas,  mas que partilham a mesma casa por questões financeiras.  

Nunca dizer nunca. 

15.8.14

Do amor


Será que o amor acaba de um momento para o outro?
Será que o amor deixa de lá estar, nós é que não nos apercebemos disso?
Será que o amor é inevitável, na hora de acontecer ou dizer adeus?


11.8.14

A Vida suspensa



A Vida em suspenso. A Vida como se fosse um balão pendurado por um fio, à espera de ser cortado.
A Vida parada. Paredes em aberto, à espera de tinta. Molduras envoltas em plástico, à espera de serem preenchidas.
Uma casa em suspenso. Sem saber se posso ficar ou deixá-la ir para venda.

Só os meus pensamentos, vão e vêm. Mas partem sem respostas concretas. Ainda. E dói.

9.8.14

A minha vida dava um filme


Novamente o 112. Mais uma vez foram eficientes e mais uma vez lá fui eu de ambulância com um dos meus bebés. Desta vez com o A.

O A. pôs qualquer coisa à boca que eu não vi e começou a ficar engasgado. Virei-o ao contrário, dei-lhe umas palmadas. Não saía nada. Ele continuava engasgado e com dificuldade em respirar.
Apanhámos o mesmo bombeiro de outras vezes, que já se ri quando nos vê.

O A. já estável, foi visto na ambulância, mas como ele é pequenino acharam por bem levá-lo ao hospital.
Fizeram-lhe um RX para despistar se o menino não engoliu nada de metal. Felizmente o RX estava limpo e voltámos para casa perto da meia noite. 

A minha vizinha do lado tem sido uma espécie de anjo da guarda na minha vida, pois ficou com os meus outros dois miúdos. Depois foi-nos buscar ao hospital. Eu com o A. ao colo, alagada em suor devido ao meu sistema nervoso, disse-lhe que era especialmente nestes momentos que me fazia falta um homem. 

Ela corrigiu-me e disse-me que o que me faz falta nestas alturas de aflição é de alguém que me ajude, mas esse alguém não precisa de ser necessariamente um homem.
E é isso mesmo. Não precisa de ser necessariamente um homem. Mas estar sozinha com 3 filhos em momentos destes não é pêra doce.  

No dia seguinte voltou a acontecer-nos uma nova peripécia, mas felizmente não correu mal e não foi preciso irmos ao hospital!


5.8.14

Todos Diferentes



Podemos ter uma mão cheia de filhos, mas são todos diferentes e únicos.
O A. tem 13 meses e só agora tem dois dentes de fora.
O A. tem 13 meses e ainda não anda sozinho.
O A. tem 13 meses e ainda me dá  noites [quase] como um recém-nascido.

A parte das noites eu dispensava bem, mas de resto sou apaixonada por este miúdo. Aliás, mesmo com toneladas de cansaço em cima, sou apaixonada por todos eles.